Comunicação

07 de fevereiro de 2019 | 10:37

Nota pública

 

O Sintego, entidade sindical que ao longo de sua história representa e luta pela garantia dos direitos dos/as trabalhadores/as da Educação e participa do debate sobre a construção da Educação Brasileira, vem a público lamentar e repudiar as declarações ofensivas, desrespeitosas e pouco inteligentes emitidas pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Em entrevista à Revista Veja, publicada no último fim de semana, Vélez Rodríguez falou sobre a volta da disciplina Moral e Cívica nas escolas totalmente contextualizado,  com os/as brasileiros/as em período de viagem, afirmando que os/as  brasileiros/as se comportam como “canibais” quando estão em viagem, “que roubam coisas dos hotéis, roubam o assento salva-vidas do avião, eles acham que saem de casa e podem carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”, disse o ministro da Educação.

“Como é possível uma pessoa vir de outro país e ser tão desrespeitoso com seu povo? Este senhor deve ser expulso do Brasil, jamais ministro e ainda da Educação, que ele demonstrou não ter nenhuma. É o maior dos retrocessos que estamos expostos”, pontua a presidenta do Sintego, Bia de Lima.

Ainda na entrevista à Veja, o ministro declarou que a universidade não é para todos, que representa uma elite intelectual. Segundo ele, “nem todo mundo está preparado ou para a qual nem todo mundo tem disposição ou capacidade”.

O Sintego, por não concordar com tais afirmações absurdas e segregadoras, vem a público pedir a destituição do ministro. Nós que trabalhamos em favor de uma Educação de qualidade social, jamais poderíamos ficar calados frente a tamanho desrespeito com todos/as os/as brasileiros/as, especialmente aos/as profissionais da Educação.

Acreditamos, principalmente, que o maior desafio da Educação no Brasil, atualmente, seja garantir a aprendizagem dos/as alunos/as, com formação de professores/as, escolas bem geridas e equipadas, material didático de qualidade, uma boa base nacional curricular e, uma posição tão atrasada e discriminatória como esta, vinda do Ministro da Educação, é inadmissível. Não conserta as deficiências educacionais, não ajuda as famílias e não respeita o trabalho realizado na escola, não ajuda com nada. Só nos dá vergonha de ter este homem à frente de um dos mais importantes ministérios.

Este homem desconhece a Constituição que diz: a Educação é direito de todos e é dever do Estado. Dessa forma, ao afirmar que a universidade é apenas para uma elite intelectual ele demonstra ignorância as nossas leis e seu desejo de continuar deixando os filhos do povo sem perspectiva profissional, social e humana de evolução. Isso é um absurdo.

Nos governos do presidente Lula, com Fernando Haddad no Ministério da Educação, as matrículas e universidades cresceram como nunca antes nesse país, com políticas de inclusão no ensino superior, inclusão social, desenvolvido econômico e agora estamos vendo tudo ao contrário e o povo excluído, desrespeitado e marginalizado.

O Sintego espera que o governo Bolsonaro reveja sua indicação ao MEC e trabalhe para o desenvolvimento e melhoria da Educação Brasileira. Não será com discursos desrespeitosos, preconceituosos e que atacam direitos garantidos à população pela Constituição Federal, que conseguiremos avanços.




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