Comunicação

07 de março de 2013 | 08:30

Dia da Mulher: celebrar, mas também refletir*

Anualmente, neste 8 de março, o assunto retorna às rodas de conversa e pautas dos jornais e dos mais diversos veículos. As homenagens e os olhares são voltados para nós, mulheres. Mas, infelizmente, ainda, o tema dominante são as estatísticas que apontam para uma realidade de autoritarismo e covardia contra a mulher: a violência doméstica, que se reflete nos campos emocional e psicológico de todas as vítimas e familiares.

De acordo com o Anuário das Mulheres Brasileiras/2011, divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de cada dez mulheres brasileiras, quatro já foram vítimas de violência doméstica.

Na Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), entre 2006 e 2010, o aumento no número de formalização de denúncias é gritante: de 43.423 para 734 mil, quase dezesseis vezes mais.

No primeiro semestre de 2012, a Central registrou 388.953 atendimentos, o que representa uma média de 2.150 registros por dia e aproximadamente 65 mil atendimentos mensais. Ironicamente, no ano passado, o mês mais violento foi justamente março, com 75.776 ocorrências.

Felizmente, no reverso dessa violência, avançamos na conquista de espaço e no exercício pleno de nossos direitos, ainda que não recebamos o mesmo reconhecimento financeiro dos homens, quando exercemos o mesmo cargo, assumimos as mesmas responsabilidades e temos o mesmo poder de decisão.

A sociedade brasileira ainda não foi capaz de superar a cultura patriarcal e machista que dificulta e/ou impede que mulheres e homens vivam no mesmo patamar igualitário de deveres e direitos, mesmo tendo à frente do maior cargo de comando do País uma ex-guerrilheira e ex-presa política que lutou, sofreu e sobreviveu à maior humilhação que pode ser imposta a um ser humano e hoje representa com dignidade e orgulho o Brasil mundo afora.

A nós, mães e educadoras, cabe um papel importante na construção de um novo modelo de sociedade, em que mulheres e homens (com) vivam sem disputa por espaço e sem violência que tem como desculpa o (des) amor, mas onde a vítima é sempre a mulher.

8 de março é, realmente, dia de celebrar a vida de todas as mulheres e também de refletir e continuar lutando para avançar mais.

 

Iêda Leal é presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego)

*Artigo publicado na edição desta quinta-feira (7) no jornal O Popular.




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