Comunicação

05 de dezembro de 2014 | 16:03

Escolas militares versus escolas civis: Aos vencedores, as batatas?

Nos últimos dias, acirradas discussões sobre as diferenças entre as escolas militares e as civis têm tomado conta dos mais variados meios de comunicação, devido a uma reportagem da rede Globo, que trouxe à tona o objeto em questão. Por um lado, há os que defendem a escola militar e a importância de sua rígida disciplina na formação de alunos; por outro lado, há os que contestam tal modelo de ensino. Diante da divergência de ideias e das expressões de indignação do Major e professor Carlos Eduardo Betelli ao DM, algumas reflexões se fazem necessárias para a compreensão das polêmicas entre escolas civis e militares.

Diante de questões contraditórias, convém sempre questionar: O que querem as pessoas – os alunos, os pais, os educadores, os militares, os gestores educacionais – quando se posicionam frente a um modelo educacional? Quais são as relações que os diferentes grupos sociais mantêm com a escola e com o saber? O que verdadeiramente está por trás dos discursos daqueles que defendem o modelo de escola militar? Mediante essas questões, devemos ficar atentos ao que o sistema educacional brasileiro tem buscado construir ao longo de muitos anos, e ao empenho dos sindicatos e dos movimentos sociais na busca por uma educação pública e de qualidade para todos. Muitas vezes, diante de momentos de crises, as pessoas se confundem e optam pelo retrocesso. Do nosso ponto de vista, defender a escola militar é retroceder.

Analisemos o que foi exposto pelos defensores do modelo militar de ensino, após a divulgação da matéria veiculada pela TV Globo. Antes, porém, lembremos que os discursos são sinalizadores de como as pessoas compreendem a vida e se posicionam diante dela. Eis alguns argumentos: A violência toma conta das escolas civis, e não há políticas públicas que defendam a comunidade escolar, logo a saída é a gestão pautada nos moldes militares; sem doutrina não há criatividade, logo a criatividade é irmã siamesa da doutrinação; ser questionador é característica de perdedores, daí a importância do modelo militar que cultiva o silêncio e a subserviência, portanto forma “vencedores”; os contrários ao modelo militar de ensino são pessoas frustradas, porque não conseguiram uma vaga numa dessas escolas; a existência das escolas militares é um atendimento à demanda de comunidades que solicitam tal ensino; o MEC impõe um tipo de ensino danoso às crianças; os alunos de escolas militares são mais criativos; as escolas militares são as melhores, tanto no que diz respeito ao ensino, quanto à moral e ao caráter ensinado ao alunado; os uniformes escolares servem para acabar com as diferenças sociais; há por trás das críticas ao modelo de colégio militar interesse político.

 




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