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11 de novembro de 2016 | 22:21

Amorim critica militarização das escolas em Goiás e diz que PEC 241 é para privatizar a Educação

O jornalista diz que governo golpista de Michel Temer (PMDB-SP) está vendendo o Brasil baratinho para investidores estrangeiros. A PEC 241, que virou PEC 55, no Senado, é para isto, vender a educação brasileira para “os gringos”, assim como é para os gringos o desmonte da Petrobrás e da saúde, alerta. Porém, o que mais espantou o experiente jornalista foi o projeto do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) de militarizar a rede de ensino estadual em Goiás. “Nem na época da ditadura os militares tentaram isto”, frisa.

O apresentador do programa “Domingo Espetacular”, da TV Record, foi um dos palestrantes do 10º Congresso do Sintego, onde também fez o lançamento do seu livro “O Quarto Poder – Uma outra história”. Na sua palestra ele falou do desmonte do Estado brasileiro, dos perigos quer os professores, e todo o povo brasileiro correm com a PEC 241/55, a Reforma do Ensino Médio, o desmonte da Petrobrás e outras medidas do governo golpista.

Educação

Amorim vai direto ao ponto: diz que a PEC 241/55 para Educação faz parte de uma estratégia de desmonte do Estado, desmonte do serviço público e a privatização. Ele informa que pelos cálculos de um professor da Universidade de São Carlos, em dois anos a universidades brasileiras fecharão por falta de recursos. A PEC 241/55, segundo sua avaliação, uma estratégia que se aplica a educação, a saúde e setores essenciais da economia brasileira. “O que este governo golpista pretende fazer com a Educação é o mesmo princípio religioso que instrui a política deste governo para a Petrobrás, por exemplo: é entregar o Brasil para a iniciativa privada, inclusive a iniciativa privada estrangeira, porque não tenham dúvida de que a privatização da saúde, da educação e da Petrobrás tem o objetivo de alienar os brasileiros aos interesses estrangeiros”, alerta.

 

Saúde

 “O que eles querem fazer na saúde é restringir o acesso dos brasileiros ao Sistema Único de Saúde, acabar com o SUS, para  forçar os brasileiros a comprar planos de saúde privados e a pagar por hospitais privados”, relata.

Previdência

O jornalista ressalta que a Reforma da Previdência vai na mesma lógica da PEC 241. Temer quer que os brasileiros só se aposentem com 70 anos para obrigar os trabalhadores a buscarem uma previdência complementar, privada. E o que não faltam são investidores norte-americanos de olho na saúde e na previdência do Brasil, informa. “Estive com a Bebel (presidente do Sindicato dos Professores de SP, a APEOESP) e entrou uma senhora  na sala, dizendo que queria se aposentar, e me perguntou o que eu achava da reforma que o Temer quer fazer. Disse-lhe com senso de humor: é melhor a senhora morrer logo, poque daqui a pouco vão lhe tonar a previdência”.

Militarização

Paulo Henrique Amorim ficou sabendo pela presidenta do Sintego,Bia de Lima, que em Goiás o governador Marconi Perillo militarizou 26 escolas. Ficou espantado com o fato, e mais ainda que isto ocorreu como um projeto confesso pelo Marconi de que a militarização combater os sindicatos. O tucano, em entrevista ao jornal A Tarde, da Bahia (17/11/2015), disse que tinha um “remedinho” contra professores sindicalizados: OS e militarização. “Nunca tinha ouvido falar em militarização da educação pública Nem nos governos militares tentaram isto. Mas também, nem, nos governos militares eles ousaram mexer na CLT do governo Vargas, e agora estão rasgando a CLT e não vai ser o Temer, nem o Congresso, vai ser o Supremo! O STF vai estabelecer que o negociado vale mais do que está na lei. E com a terceirização total os trabalhadores vão perder 30% dos salários”, profetiza.

Pre-Sal

Sob os governos Lula e Dilma o Pre-sal seria a redenção da saúde e da educação. Sobre o governo de “MiShell Temer, a história é outra. A entrega do Pré-Sal à iniciativa privada é feita de maneira escancarada, denuncia. PHA revela que o grupo Kroton, que pertence a fundos de investimentos norte-americanos tem planos para o para privatizar a saúde e a educação, que agora vão ficar à míngua sem o dinheiro do Pré-Sal e com o desmonte através da PEC 241/55. E mais: conta que Temer traiu o seu Chanceler, José Serra. Amorim lembra que Serra (durante sua campanha presidencial) havia prometido o Pré-Sal aos americanos da Chevron, porém, “o Traíra” (é assim que PHA se refere ao presidente golpista) recebeu a diretoria da Shell no mesmo dia em que pôs fim à obrigatoriedade de exploração do Pré-sal pela Petrobrás!

Golpe

Para Paulo Henrique Amorim o Brasil vive uma regração institucional  sem precedentes na sua história. O golpe midiático-empresarial-parlamentar-judiciário foi fruto, segundo ele, de uma articulação perfeita entre setores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do Judiciário, do Congresso Nacional e das confederações e federações patronais. Esta articulação, avalia, teve início assim que Dilma se reelegeu, e “demonstra a fragilidade, a fraqueza institucional daquilo que a gente chamou de democracia brasileira”;

Mídia e democracia

Para o veterano jornalista, o golpe contra a democracia é gestado pela mídia que nestes últimos doze anos não fez outra coisa senão desgastar os governos trabalhistas de Lula e Dilma. Este processo teve início no caso do mensalão - o do PT -, porque o PSDB, nem foi a julgamento, lembra. PHA observa que José Genoíno, a época presidente do PT, foi condenado sem provas, assim como José Dirceu -, cuja sentença foi escrita pelo juiz Sérgio Moro, que assessora a ministra Rosa Weber -, e escreveu: “não tenho provas para condenar José Dirceu mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”.

Para Paulo Henrique Amorim, o problema do país é a hegemonia da Globo sobre os meios de comunicação no país. Em seu livro PHA lembra que a Globo, que levou Getúlio Vargas ao suicídio, tentou impedir a posse de Juscelino Kubistchek e perseguiu ferozmente Jango, Brizola, Lula e Dilma.

Amorim destaca na sua obra uma confissão do presidente JK, que revelou que mudou a capital do Rio de Janeiro para Brasília para evitar que fosse deposto pela Globo, que toda noite sedia os microfones da Rádio Globo para que o jornalista Carlos Lacerda defendesse o seu impeachment.

“É a Globo ou a democracia. Ou um ou outro. Em nenhum país civilizado, dito democrático, uma empresa tem o poder hegemônico sobre a imprensa que a Globo tem no Brasil”, adverte.

 

Crise econômica

Paulo Henrique Amorim diz que o (des)governo de Michel Temer já está a perigo. Ele cita o desemprego que já atinge 12 milhões de brasileiros, o saque gigantesco na poupança, - porque o trabalhador está sacando para pagar as contas, e a inadimplência. Ele cita como exemplo o balanço do Bradesco, cujo lucro caiu 12%. A queda se deu pelo aumento da inadimplência. “Isto aí (o governo Temer) não dura seis meses”, desafia.  

 

Golpe no golpe

PHA diz que pior que Temer é a previsão de que Fernando Henrique Cardoso poderá vir a substituí-lo. Ocorre que descobriram um cheque nominal a Michel Temer, da Andrade Guittierez, no valor de um milhão de reais. E se Temer for “impichado” ou afastado da presidência no ano que vem, não haverá eleição direta, mas uma eleição indireta, pelo Congresso Nacional, e o PSDB está trabalhando para que FHC seja novamente presidente, com apoio da Globo, banqueiros e Fiesp. “Não há nenhum cheque nominal para Lula, nem para Dilma, nem para o Dirceu, nem para o Genoíno, nem para o Delubio. Mas há um cheque para Temer e esta canoa vai virar”, garante.

 

Saída pelo centro

Amorim conta que ele e o produtor Luis Carlos Barreto estão envolvidos num projeto de fazer um filme/documentário com o ex-presidente Lula. E nas conversas com o ex-operário, tem ouvido dele a necessidade de que se crie no Brasil algo semelhante ao movimento das Diretas Já, que na década de 1980 foi fundamental para a redemocratização do país. A saída, segundo Lula, é pelo centro, com um movimento que reúna todos os partidos, movimentos sociais, sindicatos e atores políticos que querem a volta da democracia no país, com o povo decidido, pelo voto, os destinos da nação. “É isso, a regulamentação da mídia, como os Kchiner fizeram na Argentina, porque ou é a democracia, ou a Globo, um ou outro”, finaliza.

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