Comunicação

07 de outubro de 2015 | 09:47

Ensino médio goiano, Perillo presidente e a morte da esperança

Artigo do professor, economista e cientista político Ângelo Cavalcante analisa a atual conjuntura da Educação pública goiana, que ele classifica como um quadro que "beira a indigência". Confira a íntegra abaixo.

Ensino médio goiano, Perillo presidente e a morte da esperança

O atual quadro da educação pública estadual de Goiás beira a indigência. Abandono é pouco! Descaso? Até seria bom! O que se passa, sobretudo, em escolas estaduais nos interiores do Estado ainda não tem nome. É preciso que as ciências sociais criem uma categoria de maior precisão e acuidade para tentar demonstrar o que, de fato, se passa.

As nossas escolas se tornaram territórios do "faz-de-conta", intervalos ou hiatos nas totalidades urbanas onde se pratica uma espécie de terapia coletiva para jovens pobres onde pitadas remotas de qualquer coisa que lembre educação são lançadas.

Território fácil para o tráfico fluído e abundante; praça vigorosa para crimes como a pedofilia, prostituição infantil ou mesmo escravidão sexual; instituto acéfalo e impotente ante a torrente de péssimas novidades e que a carcome todos os dias.

É tão somente, um cadáver insepulto, nada, além disso. Sem procedimento pedagógico adequado; com professores desmotivados e, portanto, resistentes para novos estudos, formações e atualizações acadêmicas; carente de equipamentos essenciais como bibliotecas ou algum transporte para, quem sabe, um trabalho de campo, uma visita técnica ou, de repente, um estudo de realidade ou paisagem. Nada, nada, nada!

 Fracassamos feio! Me recordo bem da visita que fiz à Escola Nestor Maranhão

Arzolla em Buriti Alegre, com uma comissão de professores onde um único banheiro servia para mais de quinhentos alunos e alunas, numa espécie de coletivização perversa, nociva e integralmente patológica. Lembro do semblante de frustração e impotência da diretoria e dos funcionários compulsoriamente mergulhados naquelas ruínas escolares e que, o pensamento conservador, cínico e desumano, insiste em chamar de "escola". Não é mais!

Efetivamente, a educação estadual é um empreendimento mal-realizado em Goiás, um fracasso notável e pleno na paisagem social e política desta capitania, portanto, nada mais adequado, sobretudo, a partir do juízo utilitarista e de curto prazo da tucanagem do que se desfazer desse "péssimo negócio".




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